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O Mundo Fantástico de Isabela Volteiii Olá pessoas lindas...Quanto tempo sem postar aqui...Tava com saudades... Bom hoje eu resolvi postar um texto que eu ne identifiquei muito. Fiquei um ano sem comer carne e era complicado ter que "explicar" os motivos que me levaram a optar pela dieta vegetariana...Muitos não entendiam. Quero voltar a seguir a dieta vegetariana...Voltei a comer alguma coisa de carne esses tempos...mas pretendo parar novamente...É uma questão de opção e de consientização.
A pergunta que sempre se repete é "Mas por que você não como carne?". E a resposta que evito dar é que essa pergunta está errada e eu sim deveria perguntar "Mas por que você come carne?". Porque a pergunta da forma que me fazem tem implícito o pressuposto de que eu estaria fazendo algum esforço para me privar de algo "normal", que eu me daria o trabalho de evitar um caminho mais fácil; quando na verdade acontece justamente o contrário. Comendo carne é que se contraria o natural, se rema contra a correnteza. Sempre que fiz a réplica que sugeri acima, a resposta que tive foi "Eu como carne porque gosto". É o que você me responderia também, não é? Acontece que isso não é verdade. Ninguém, absolutamente ninguém, gosta de carne. Eu sou gaúcho, fui criado no meio do povo que talvez mais consuma carne bovina no mundo, onde o churrasco de domingo é praticamente um ritual, um elemento cultural básico e firmemente enraizado, onde se aprende a assar uma picanha com perfeição desde criança, mas mesmo lá nunca conheci ninguém que gostasse de carne. De todos os seres vivos que consomem a carne de seres mortos, o homem é o único que faz isso a contragosto. Só o homem precisa disfarçar a carne que ingere. Precisa maquiá-la, mascará-la, alterar sua aparência, cheiro, textura e sabor para poder comê-la. Um tigre abate uma presa e simplesmente rasga sua pele e abocanha sua carne. Uma cobra não precisa mais que abrir sua mandíbula para engolir um rato e se alimentar dele. Também é assim com os tubarões, os ursos, leões, moréias, águias, hienas, lobos, gatos, sapos, lagartixas... O homem é o único necrófago incapaz disso. Por isso afirmo que ninguém gosta de carne. Sim, existe quem goste de bife, churrasco, picadinho, estrogonofe, galeto, moqueca, almôndega, peixada, fricassê, salsicha, hambúrguer ou qualquer outra das formas de foram inventadas para disfarçá-la; mas carne, carne mesmo, in natura, é intragável para qualquer um, seja ela de que bicho for. Se um homem se encontrar num bote à deriva em alto-mar sem nada além de 20 quilos Não, não adianta ficar aí pensando: não há exceções. Sashimi? Aquele show de destreza com as facas afiadíssimas disfarça a forma do peixe e poucos o apreciam sem fortes temperos para alterar o cheiro e o sabor. Qualquer samurai sentiria ânsias se tivesse que rasgar as escamas de um belo salmão com os dedos e cravar os dentes naquilo que com poucos truques culinários se transforma num apetitoso quitute. Carpaccio? Idem. Talvez ostras? Não, mesmo animais desse tipo, com um sistema nervoso rudimentar demais para sentir dor e incapazes até de fugir ou dar qualquer demonstração de que preferiam, por obséquio, continuar vivos, poucos aceitam sem azeite, sal e um limãozinho providenciais. Ou seja, o diferente, o estranho, o antinatural é as pessoas se darem ao enorme trabalho de transformar algo pelo que sentem repulsa em algo comestível. Ao contrário dos vegetais que qualquer um de nós com prazer simplesmente arranca da árvore e leva à boca, sem antes alterar o aspecto dos cadáveres dos animais através de pelo menos uma ou duas das três técnicas possíveis (corte, moagem ou demais alterações no aspecto visual; temperos e especiarias para alterar o cheiro e o sabor; e cozimento, fritura ou as outras modificações na textura e, novamente, no aroma e paladar através do calor), ninguém os encara. Por que será? Porque algo nos "avisa" que não devemos comê-los: o nojo. O nojo é um dos instintos humanos mais fundamentais à preservação da espécie. Tão fundamental quanto o medo. Aliás, é possível dizer que o nojo é o medo de ficar doente. Se o medo é o instinto que nos avisa que corremos perigo de nos ferir se não evitarmos determinada situação, o nojo nos alerta de que poderemos adoecer se não nos afastarmos de algo. O nojo é o "medo" do que não podemos enxergar, é o "medo" de microorganismos e substâncias que podem nos fazer mal. Temos nojo de insetos que podem carregar vírus e bactérias nocivas, de animais potencialmente venenosos como sapos e cobras, de água estagnada ou locais contaminados por micróbios e de coisas que nos farão mal se ingerirmos. É desnecessário dizer o quanto o corpo é sábio em demonstrar através do nojo "temer" ingerir pedaços de animais mortos, não é? Não há quem não esteja cansado de ler sobre os riscos da gordura animal, do colesterol, dos vermes e parasitas da carne, dos problemas que podem decorrer de se comer acidentalmente carne em estado de decomposição mais avançado (sim, mais avançado, porque em decomposição toda carne está desde que o animal é morto) e etc. Também não vale a pena esmiuçar os aspectos mais, digamos, filosóficos do assunto, que envolvem o direito ou não que temos de matar outros seres vivos. Praticamente todas as religiões já o fazem restringindo totalmente a carne ou a permitindo apenas após passar por rituais de purificação, como, por exemplo, nos casos do judaísmo e islamismo. Das grandes religiões, apenas as cristãs com o tempo foram afrouxando suas regras e hoje toleram quase sem restrições a ingestão de carne. Da mesma forma, sobre a questão ambiental que envolve a Portanto, o ponto que considero mais importante é perceber que insistir em comer carne apesar dos alertas do nosso corpo e ter todo o trabalho de disfarçar esse alimento para enganar esse instinto é que deveria ser questionado e visto como algo diferente, estranho ou curioso. Continuação abaixo... Escrito por Isabela às 11h13 [ ] [ envie esta mensagem ] continuação
As pessoas a comem porque na história da evolução da espécie humana houve um tempo em que isso foi necessário. Aliás, todo o imenso acervo de técnicas culinárias para transformar a carne em algo comestível talvez seja o mais impressionante exemplo da capacidade Mas acontece que essa necessidade não existe mais. Nós continuamos evoluindo e agora aprendemos a nos alimentar sem precisar desse recurso extremo. Já sabemos produzir alimentos vegetais em quantidade suficiente para todos e temos todo o conhecimento científico para equilibrar a dieta de forma que os poucos nutrientes que antigamente só tínhamos aprendido a obter pela carne sejam tranquilamente supridos. Em resumo, deixar de comer carne é uma questão de evolução, é mais um passo que devemos e vamos dar no nosso caminho. Os corpos de todos os animais que matamos para nos alimentar já cumpriram seu papel; devemos ser gratos a eles, mas agora podemos nos livrar dessa muleta e seguir com nossos próprios pés.
Encha com o recheio que quiser. Recheios a base de queijo costumam ficar bons, rúcula com tomate-seco fica uma delícia, pasta de berinjela com pimenta e alho é sensacional. Mas não se constranja, se ainda quiser, pode rechear com carne também. Enrole com papel laminado e coloque no forno bem quente ou entre as brasas da churrasqueira. Bom apetite.
"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade." "Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade
Escrito por Isabela às 11h05 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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